Realista como me proclamo, deveria ser imune às paixões lancinantes. Mas
digo, com uma relutância que me desmascara, quão inúteis são tais
autodeclarações. Pois aqui estou, confessando que não foi paixão, nem amor. O
que vivi foi a mera e deliciosa luta contra a inevitabilidade do desejo.
Isto aqui é sobre arte, viagens, amizade e devaneios. Ah... e sobre literatura também! Mas genuinamente, é sobre o humano que habita nosso SER. Cristina e Carol.
domingo, 10 de março de 2019
Não Me Apaixonei Por Você
quinta-feira, 23 de agosto de 2018
Vários Amores, Uma Só Vida - Parte II
Ella repousa na cama, dedos cruzados sobre o ventre. Seus pensamentos, inquietos, sussurram como vozes de um palco secreto.
Às 14h, ele entra no quarto. O olhar de Juan encontra-a em pleno devaneio, e sua pergunta rasga o ar:
— Você está apaixonada por outro homem?
O silêncio já trazia a resposta. Essas coisas acontecem nas frestas do matrimônio, onde os corpos se encontram, mas as mentes viajam.
Mais de uma década juntos e Juan acreditava na autenticidade de sua vida a dois. Mas Ella habitava mundos invisíveis, suspirava desejos que não cabiam em sua rotina. Seu corpo permanecia ali, fiel; sua mente, porém, era território livre, onde outras possibilidades floresciam. Onde andavam os pensamentos de Ella? E que frutos poderiam nascer deles?
Ella é uma mulher contemporânea. Poderia ser eu. Poderia ser você. Essas histórias atravessam até as instituições mais sólidas.
Quase dois séculos antes, em 1830, John Stuart Mill conheceu Harriet Taylor. Ela era casada, mas os dois se apaixonaram perdidamente. Viveram anos de espera até poderem se unir. Harriet transformou a filosofia de Mill, deu-lhe linguagem e horizonte, inscreveu-se no coração de sua obra. Amor interdito, mas fundador.
O amor é linguagem, feita de códigos e silêncios. É força que transborda biografias, ficções e fatos. Há amores que não tocam a carne, mas incendiam o pensamento. Há desejos que nunca se cumprem e, ainda assim, reinventam a vida.
Pergunto-me: pode o inconsciente, regido pelo princípio do prazer, se curvar aos interditos da civilização? E, se sim, a que custo? Talvez sejamos, todos nós, “neuróticos adestrados”, contidos no ato, mas acesos no desejo.
Porque o desejo é chama. E só arde pelo que não temos. É ausência que move os corpos. É promessa de um encontro sempre adiado.
Lembro-me de Sócrates em O Banquete: “Confesso não entender de nada mais, senão de amor.” Também eu sinto que sem amor, a humanidade não suportaria um só dia.
Entre minhas próprias limitações, concluo: diante dos freios sociais que nos contêm, o que talvez prevaleça não seja o amor ao amor, mas o amor à verdade (talvez à própria verdade). Mesmo quando ela é fragmentada, inconclusa, tempestuosa. Pois desejos passionais são como águas: correntes que podem ser riachos tranquilos ou tsunamis devastadores.
domingo, 5 de agosto de 2018
Res Publica, Res Privata
Uma das primeiras inquietudes como aspirante a jurista, foi quando das primeiras aulas de Direito Romano que assisti na Universidade, ainda no século XX. Depois de um tempo, me apaixonei por Direito Público e aí... questões e mais questões arrumei para minha vida jurídico-epistemológica! A sede de saber transformou-se em 'furor educandi' e, desde então, dou aulas de Direito Constitucional para crianças entre 7 e 10 anos de idade.
Vejamos outro cenário:
sábado, 21 de julho de 2018
Entre a Doença e a Loucura - Parte I
"Aprendi que, aconteça o que acontecer, pode até parecer ruim hoje, mas a vida continua e amanhã melhora"
Você olha para ela... moça bonita e inteligente. Forte. E mesmo assim, há tanto tempo, submete-se.
terça-feira, 13 de março de 2018
Vários Amores, uma só vida
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| Eros e Psiquê de Antonio Canova, 1793 |
EuroTrip não, EuropArte



quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018
Somos os Lírios do Campo
“A guerra deve ser em função da paz,
A atividade em função do ócio,
As coisas necessárias e úteis em função das belas”
Sabemos que muitas vezes a noção de trabalho está centrada na filosofia “no pain no gain”... nessa idolatria maluca e competitividade. No entanto, acreditamos que uma ‘produção eficiente’ não necessariamente está ligada ao tempo que você passa na farfúncia.
Pensamos ser possível trabalhar com alegria e divertimento... visando uma postura ética, “meta-humana” (ops!) objetivando distribuição equânime da riqueza, do trabalho, do saber e do poder. Confessamos nossa utopia (mas a confessamos juntamente com Thomas More).
Segundo o italiano Domenico De Masi “o futuro pertence a quem souber libertar-se da ideia tradicional do trabalho como obrigação ou dever e for capaz de apostar numa mistura de atividades, onde o trabalho se confundirá com o tempo livre, com o estudo e com o jogo, enfim, com o ‘ócio criativo’ ”.
E se a delícia da vida mora na sagacidade do humor, no prazer de fazer o que se ama, na capacidade de canalizar esse vulcão... essa energia libidinal na produção laboral; na vocação de ser o que se faz e fazer o que se é... Esclareçam, por favor: por que cargas d’água exigem de nós tamanha seriedade e semblante!?
Ah esse suor que lhe escorre da testa... Quanto respeito ele denota!
– “Acabou a brincadeira!” Dizia a professora da Cristina quando queria inculcar em seu tímido cérebro as operações matemáticas.
E assim ela foi crescendo, engordando sua consciência com fantasmas, culpas e faltas. Aprendeu a disfarçar suas brincadeiras. Camuflou-as em buscas e inquietações. Agora, aos 50 anos, a alegria pulsa, sem constrangimentos! O júbilo está ao seu alcance, por boa parte do tempo. Seu corpo lê seus acordes, dança, canta, e junto, a língua se poetiza. As moléculas se agitam. Sente os sopros dessa delícia saltando pela pele e endoidece em festa com os amigos, com os amores.
Carolina conta que em seu tempo de “lápis e carteira” não existia a nomenclatura tão usual atualmente: bulliyng. Bem... não existia a nomenclatura, mas as práticas... essas sim! E a freguesia mais assídua eram as professoras e diretoras, que dotadas de uma perversidade ímpar, rezavam a cartilha do sistema educacional da época.. aquele tradicional, autoritário, religioso, prussiano, capitalista e sanafobitch.
- “Licença, professora... preciso ir ao banheiro”, a menina pergunta diante de toda a sala de aula.
- “Vai fazer o que no banheiro? Preciso decidir o tamanho do papel higiênico!”
Pois é... Bem sabemos quão alegrinhas e desavisadas as criancinhas podem ser. Tenho certeza de que nenhum de nossos alunos escutaria inerte, resposta tão grotesca. Nenhum professor de nossa Aldeia sairia ileso caso quisesse colocar suas insatisfações no lugar errado.
Essa liberdade é uma conquista. E é gradativa! Quanto antes proporcionarmos a possibilidade de liberdade às nossas crianças, tanto melhor! Mais inteligentes serão!
Quantos ‘haveres’ e ‘afazeres’ deixamos de assenhorar por conta das expectativas de outrem, de conceitos morais que renegam o bem comum, o amor e a alegria. Grandes e altas vozes, vindas do passado, se tornam a nossa própria voz para dizer o certo e o errado, o bem e o mal. Ah, felizes aqueles que conseguem uma voz interior que canta músicas festivas e declama poemas de amor.
Essa liberdade vivemos em viagens, leituras, amizades, e pasmem: no trabalho! Sim... vivemos liberdades nesse lugar de ‘oferecimento de belezas’. Nos entregamos e topamos o desafio da vida e fizemos do trabalho, um caminho, uma saída... a sublimação nossa de cada dia. O sinthoma. Uma das nobres possibilidade de elaboração das loucuras.
Bem sabemos que ainda muitos discursos ressoam em arquétipos que tem o trabalho como algo repleto de regras rígidas e sóbrias. São infinitos os absurdos organizacionais, mas não em nossa “Aldeia”, não em nosso quadrado. Divertimo-nos no que fazemos, sem antagonismos. Há uma harmonia de fazeres e deleites entre o acordar às cinco ou seis da manhã e as boas noites de sono.
Somos cúmplices de De Masi e não pregamos vagabundagem! Aliás, vivemos em desacordos com alguns indolentes parasitas que dedicam o seu tempo em desperdícios para a nossa sociedade. Mas se nos perguntarem se já vadiamos, se já jogamos tempo fora, imediatamente te convidaremos para uma cantoria animada... ou quem sabe para uma desajeitada dancinha pélvica regada ao som de Sidney Magal!
Pensar a produção como prazer é uma inovação existencial e não simplesmente logística. É importante que em toda atividade esteja presente a criação de um valor, mas juntamente com isso, o divertimento e formação. Isso é ócio criativo!
E dizemos mais... essa observação empírica de que falamos aqui, já era há muito uma verdade bíblica. Vejamos: “aprendei dos lírios do campo, que não trabalham nem fiam. E, no entanto, eu vos asseguro que nem Salomão, em toda sua glória, se vestiu como um deles”.











